Sara Regina Diogo, Advogado

Sara Regina Diogo

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Eduardo Sefer, Advogado
Eduardo Sefer
Comentário · há 8 anos
Precisa e rica análise. Acrescento que os sacrifícios humanos estavam presentes em grande parte das civilizações agrárias. A natureza dos sacrifícios era deveras variada. O sacrifício pressupõe algo de valor para a divindade. Alguns, como os astecas, sacrificavam inimigos capturados; sem valia para si, mas cujo sangue satisfaria Hutzchilopotli. Alguns preferiam seus criados e concubinas - os chineses e mongóis antigos tinham poucas ressalvas quanto a isto. Outros, como os cázaros, julgavam aceitável um espectro maior - de escravos às suas crianças. Outros viam no sacrifício quase um ato de responsabilização perante os deuses - os maias sacrificavam seus próprios reis. Outros, como os semitas da antiguidade mais remota - antes de Mochus e Sanconíaton - sacrificavam o que lhes era mais caro - seus próprios filhos, enquanto infantes.

Há casos e casos. A questão toda requer uma certa cautela. Na sociedade atual, o sacrifício humano tornou-se um tabu em todos os sentidos. Não é meramente proibido falar sobre o assunto - é proibido lembrar que existe ou existiu um dia. A passagem da visão pré-axial para a axial extirpa o elemento sacrificial daquilo que é correto e aceitável. Os romanos praticavam abertamente sacrifícios humanos até o século III A.C.. Cem anos depois, era praticamente proibido mencionar o fato. Os fenícios e judeus, ao que tudo indica, mantiveram a prática por muito tempo - mas nenhum registro direto da prática sobreviveu, tão logo eliminada da religião oficial.

O problema é que muitas vezes ela prossegue por vias oficiosas. Às escondidas e no silêncio, por vezes sob a capa da heresia e do sectarismo. Por óbvio, varrer o problema para debaixo do tapete está muito longe de solucioná-lo.

As evidências - de todas as épocas - sugerem precisamente o contrário. O tabu torna-se um valoroso escudo ao ato hediondo, que aguarda nas sombras a chance de ressurgir. E que ninguém se engane - eis que ressurge quando ninguém mais se lembra.
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